Da nebulosidade inicial, o Homem limpa os olhos, descobre o silêncio, caminha para o dia em direção à luz. O sagrado não se oculta, está em si, nele, no Homem, à procura da claridade que decorre por entre as mãos.
Do obscuro saber, o mito esmaga a exterioridade, leva o Homem à viagem interior, onde as cores revelam a presença do sagrado que se esmagam no encontro da sensibilidade, no ventre.
Da coisificação absurda, rodeante, o Homem projeta no universo, na tela, a desordem onírica, que espera, necessita, do olho, da água, da lágrima que dá ordem, sentido.
Na inquietude individual, o artista, o pintor, olha o mito, agarra a cabeça, mergulha nas cores, limpa os olhos, desvela a vida.
A Vida...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Abandonado

 

Pela rua

Arredando pé

Vejo um velho de rosto esfomeado

De mão morta pedindo esmola

Veste um corpo cansado e sujo

Todo ele imundo!

A sua barba preta e branca

Mostra um passado presente

 Um futuro sem esperança

Mas dança…

Quando vê o sorriso de uma criança

 E sorri ao amor

E cheira uma flor

Porque já há algum tempo não cheira

E adormece

Porque esteve demasiado tempo acordado

E morre...
 Porque ninguém quis que vivesse



2 comentários:

Fernando Santos (Chana) disse...

"Quando somos abandonados pelo mundo, a solidão é superável; quando somos abandonados por nós mesmos, a solidão é quase incurável."
(Augusto Cury)

Cumprimentos

Silvia Mota Lopes disse...

É verdade Fernando muitas vezes somos nós que escolhemos a vida que queremos ter, nem todos estão sozinhos porque foram abandonados...muitos optaram por esse modo de vida...nós somos os principais responsáveis pelo que somos.
beijinhos