Da nebulosidade inicial, o Homem limpa os olhos, descobre o silêncio, caminha para o dia em direção à luz. O sagrado não se oculta, está em si, nele, no Homem, à procura da claridade que decorre por entre as mãos.
Do obscuro saber, o mito esmaga a exterioridade, leva o Homem à viagem interior, onde as cores revelam a presença do sagrado que se esmagam no encontro da sensibilidade, no ventre.
Da coisificação absurda, rodeante, o Homem projeta no universo, na tela, a desordem onírica, que espera, necessita, do olho, da água, da lágrima que dá ordem, sentido.
Na inquietude individual, o artista, o pintor, olha o mito, agarra a cabeça, mergulha nas cores, limpa os olhos, desvela a vida.
A Vida...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Dou -te

Dava-te o mundo
Se ele coubesse na minha mão
Dava-te a lua se  conseguisse tocar-lhe
Até te dava o sol se pudesse…
Mas dou-te o meu amor que é imenso

E cabe em nós dois

SML 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Acordo
Ainda vestida da noite e de lua
Pálida triste recolhida
Ainda estão adormecidos os sentidos
Mal os sinto…
Logo pela manhã
Nem o cheiro de terra molhada me faz sentir o chão
Nem o ruído da cidade
Me faz presenciar a vida
Ausentou-se o sol e a luz
Espero
Agora
Em mim mais um dia



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Eu não encontrei a palavra paz
Disseram-me que vinha com o outono
Só o vento tinha força para a trazer até nós
Mas não há vento
E o tempo varia
E nem sempre o outono traz o vento
Pode trazer o sol nos seus primeiros dias
O sol disse que só conheceu a paz uma vez
Quando enviou um SMS à Lua
Opostos que nunca se atraíram
E ouvi dizer que os opostos se atraíam
E quando ele soube que a podia contactar dessa maneira ficou tudo mais esclarecido
Não podendo consumar o casamento namoram durante este tempo todo através de mensagens
Passou a ser crónico sim um namoro crónico!
Mas são mais as vezes que quando um está a dormir, o outro está acordado, só quando estão com insónias ou com muitas saudades um do outro é que se encontram e encontram também a paz e não precisam da palavra porque já sabem o que é.
O sol encontrou a paz e com ela a Lua se calhar a paz dele é a própria Lua!
Eu ando à procura desde que nasci tem sido uma busca constante
Mas… para tudo que vejo encontro tudo menos a paz
Na escola não a vejo… no estádio de futebol também não, na televisão muito menos, nos livros às vezes sim às vezes não
Pois é difícil encontrar a paz
Porque o mundo é imenso
Porque as pessoas também o são
Vou dormir pode ser…

que…o sonho me dê a resposta

Sílvia Mota Lopes

O novo livro o segundo da coleção Novelos de Contos Meadas de Palavras:)

 
Sílvia Mota Lopes
Sandra Fernandes