Da nebulosidade inicial, o Homem limpa os olhos, descobre o silêncio, caminha para o dia em direção à luz. O sagrado não se oculta, está em si, nele, no Homem, à procura da claridade que decorre por entre as mãos.
Do obscuro saber, o mito esmaga a exterioridade, leva o Homem à viagem interior, onde as cores revelam a presença do sagrado que se esmagam no encontro da sensibilidade, no ventre.
Da coisificação absurda, rodeante, o Homem projeta no universo, na tela, a desordem onírica, que espera, necessita, do olho, da água, da lágrima que dá ordem, sentido.
Na inquietude individual, o artista, o pintor, olha o mito, agarra a cabeça, mergulha nas cores, limpa os olhos, desvela a vida.
A Vida...

segunda-feira, 16 de julho de 2018



Há músicas que entram facilmente na cabeça e nem pedem licença para entrar. Escancaram a porta das emoções e permanecem ali aninhadas em fios de prata a olhar o horizonte através dos versos. Talvez bastasse ser pássaro para sentir a chegada da primavera e testemunhar o verbo que está em risco de extinção.
São tantos os olhos que desfilam pela janela, sabendo que, a casa não têm teto. Também teimam em usar pestanas mesmo quando não chove. Há pessoas que vivem dentro da nossa cabeça de tanta preocupação, outras temos de as deixar ir, mesmo que nos doa o peito. Às vezes sinto pequenas asas a borbulhar na garganta. Quando as pressiono, elas ficam bravas, porque nascem deformadas. Torna-se difícil regressarem ao estado límpido em que se encontravam.  
Como é que formigas tão pequeninas podem carregar fardos tão grandes?
 São como algumas pessoas quando amam.
As malhas dos afetos são para os perseverantes com corações gigantes.
As maiores dores são sentidas no silêncio.
Então porque não se calam?

SML

domingo, 6 de maio de 2018

Esther - Yann Tiersen

Gustavo Santaolalla - Pajaros

Pampa - Gustavo Santaolalla

Ser mãe é dar vida

O ventre materno é a primeira casa de um filho. A Mãe transporta no ventre um mundo de emoções e sente cada metamorfose como um milagre de vida.
Quando o filho(a) nasce esquece todo o mal-estar que uma gravidez acata, enjoos, azia, dores de costas, pernas inchadas, as múltiplas idas noturnas à casa de banho, enfim, são vários os incómodos que uma grávida tem de passar durante o período de gestação até à hora do parto, isto no decorrer normal de uma gravidez, porque muitas vezes há riscos acrescidos. Gravidezes de risco, onde os cuidados são redobrados e acalentados, mas ser mãe é muito mais do que isso e ser filho também. Ser mãe e ser filho é uma simbiose afetiva, um cordão umbilical invisível onde o amor é alimentado para toda a vida, mesmo na distância e ausência física.
Não sei bem se vou conseguir materializar em palavras o que estou a sentir neste momento que sou mãe, mãe de três filhos tão iguais a si próprios. Ser mãe não é um mar de rosas, não é um mundo de fantasia e de extasiada felicidade. Ser mãe é dor e sofrimento, responsabilidade, preocupação, receio, é um poço de dúvidas, é questionar-se dia após dia, é crescimento, aprendizagem e amadurecimento.
Todas as relações íntimas são desinquietas e emotivas porque são genuínas e na genuinidade existe a imperfeição e o que de tão humanamente somos, sem a pretensão de esconder, disfarçar, ou tentar agradar. Somos o nosso verdadeiro “eu” numa relação baseada em factos reais.  É difícil para um filho compreender este mundo de ser pai, ou mãe, possivelmente só o vai compreender verdadeiramente quando a vida lhe proporcionar esse estado.
O respeito  é a base de toda e qualquer relação harmoniosa.
O Amor salva.



Ser mãe não é apenas trazer um ser no ventre.  Ser Mãe é muito mais.

A todas as mães biológicas ou não.