Da nebulosidade inicial, o Homem limpa os olhos, descobre o silêncio, caminha para o dia em direção à luz. O sagrado não se oculta, está em si, nele, no Homem, à procura da claridade que decorre por entre as mãos.
Do obscuro saber, o mito esmaga a exterioridade, leva o Homem à viagem interior, onde as cores revelam a presença do sagrado que se esmagam no encontro da sensibilidade, no ventre.
Da coisificação absurda, rodeante, o Homem projeta no universo, na tela, a desordem onírica, que espera, necessita, do olho, da água, da lágrima que dá ordem, sentido.
Na inquietude individual, o artista, o pintor, olha o mito, agarra a cabeça, mergulha nas cores, limpa os olhos, desvela a vida.
A Vida...

sexta-feira, 20 de julho de 2012


As palavras afundam-se na terra
Vagueia apenas o pensamento
Voa com o orvalho da manhã
Enquanto o ar frio da noite espera
Toca na nuvem
Naquele vazio
Na gota em queda
Batendo pesada no vidro
Faz sorrir a madrugada
Que o dia se faz longe
Abraçando forte
O corpo enfraquecido
E por um instante
 A alma vence
Um corpo por si vencido

8 comentários:

MA FERREIRA disse...

Silvia... Obrigada pela visita e comentário simpatico em meu blog.
Não sei se com voce acontece o mesmo, mas sempre que eu leio um poema eu imagino o sentimento da pessoa naquele momento.
Eu não concordo com Fernando Pessoa quando ele diz que e o poeta é um fingidor.
Talvez eu não saiba interpretar o que ele realmente quis dizer.
Voce escreve muito bem! e seus desenhos também são lindos, delicados e unicos.
.. Teu poema é muito forte.
.. o corpo enfraquecido
.. a alma vence.

Penso que o corpo é apenas o habitat que a alma faz morada.

.. Somos alma... e concordo .. a alma sempre vence!!

beijinho gordo!

Silvia Mota Lopes disse...

Ma sim é verdade eu escrevo o que me vai no coração o que sinto, não estou a fingir sou eu por inteira. Escrevo situações e momentos meus e outras vezes de outras pessoas, de outras situações...de sentimentos...nós fazemos parte de um todo que directamente ou indirectamente nos diz respeito e como humanos que somos não nos podemos desligar ou ficar indiferentes simplesmente.
Obrigada Ma. Estou neste momento a passar uma fase menos boa, por isso escrevo para aliviar a dor...temos que ir buscar forças, não só por nós mas também pelos outros:)
Beijinho

Antonio Urdiales Camacho disse...

Es un poema hermoso en su languidez contemplativa. Me ha gustado mucho.

Un saludo.

Silvia Mota Lopes disse...

Obrigada Antonio:)
Um Abraço

Dinos-Art disse...

I love the melody of your blog.
Have a nice weekend.

Silvia Mota Lopes disse...

Thanks for your visit by my little world, a good weekend for you too:)

Milton disse...

Querida Silvia!

"A alma vence
Um corpo por si vencido"

Adorei todo o texto, mas esse trecho é fundamental.

Ps. Retirei aquele post sobre a bolada. Sabias que me fizesse acordar para o equívoco da brincadeira.
Que mau gosto né, rir de uma senhora recebendo uma bolada na cabeça. Tinhas razão!

Beijos no coração e um ótimo final de semana.

Silvia Mota Lopes disse...

:)
Beijinhos