Da nebulosidade inicial, o Homem limpa os olhos, descobre o silêncio, caminha para o dia em direção à luz. O sagrado não se oculta, está em si, nele, no Homem, à procura da claridade que decorre por entre as mãos.
Do obscuro saber, o mito esmaga a exterioridade, leva o Homem à viagem interior, onde as cores revelam a presença do sagrado que se esmagam no encontro da sensibilidade, no ventre.
Da coisificação absurda, rodeante, o Homem projeta no universo, na tela, a desordem onírica, que espera, necessita, do olho, da água, da lágrima que dá ordem, sentido.
Na inquietude individual, o artista, o pintor, olha o mito, agarra a cabeça, mergulha nas cores, limpa os olhos, desvela a vida.
A Vida...

sexta-feira, 26 de abril de 2019


Cai neve em plena primavera.
Um pássaro morto.

sml

O luar é a casa.

Em todo o lado encontrarás o frio e a noite
como se inclinassem a morte.

sml



Nas margens de um rio incerto jazem ossos.
Murcham as flores e o bicho-.da- seda.

sml






As palavras como se fossem tuas
juraram a paz.



O rio rompe e leva perfumes da primavera.
Tudo é invisível até chegar ao chão.

sml


Ninguém sabe qual a nuvem que se apaga
ou por quem gravitam as estrelas.
sml