Da nebulosidade inicial, o Homem limpa os olhos, descobre o silêncio, caminha para o dia em direção à luz. O sagrado não se oculta, está em si, nele, no Homem, à procura da claridade que decorre por entre as mãos.
Do obscuro saber, o mito esmaga a exterioridade, leva o Homem à viagem interior, onde as cores revelam a presença do sagrado que se esmagam no encontro da sensibilidade, no ventre.
Da coisificação absurda, rodeante, o Homem projeta no universo, na tela, a desordem onírica, que espera, necessita, do olho, da água, da lágrima que dá ordem, sentido.
Na inquietude individual, o artista, o pintor, olha o mito, agarra a cabeça, mergulha nas cores, limpa os olhos, desvela a vida.
A Vida...
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sexta-feira, 20 de julho de 2012


As palavras afundam-se na terra
Vagueia apenas o pensamento
Voa com o orvalho da manhã
Enquanto o ar frio da noite espera
Toca na nuvem
Naquele vazio
Na gota em queda
Batendo pesada no vidro
Faz sorrir a madrugada
Que o dia se faz longe
Abraçando forte
O corpo enfraquecido
E por um instante
 A alma vence
Um corpo por si vencido

Pela rua quase nua




Pés descalços pela rua
De alma despida
Quase nua
Menina de saia rodada
Que outrora andava à roda
Agora travada e curta
Sem cheirinho a sabão
Nem a detergente de máquina
Nem tão pouco água limpa
Para lavar o seu coração
Restam as lágrimas caídas
Salgadas como as ondas do mar
E aquela dor forte no peito
Que suplica para cessar
Resta aquela lembrança
De um passado criança
Deitada sobre as pedras da rua
Menina quase nua
Coberta de folhas secas mas húmida
Desfalece tentando embalar a dor
E de súbito ouve aquela melodia
Que um dia a fez sonhar
É a voz de um anjo que já viu partir
E de mãos dadas…
Partem os dois a sorrir

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Um dia...

 
Escrito de fresco:)
Naquele azul
cinzento o mar
onde a espuma beija a areia
e a luz que o longe traz
relembra o pedaço
da inocente brincadeira
pés descalços sobre o manto
húmido da noite que ousou
chorar
gemidos soltos de dia ao vento
escondem a fome
que um dia...
se atreveu a chegar

Sílvia Mota Lopes

terça-feira, 19 de junho de 2012

o livro em branco escrito de fresco:)


Encontro aquele livro em branco
Na prateleira da estante
Seguro-o na mão e no pensamento
Cheiro as folhas…
Inspiro por segundos
Cheiram a poemas não escritos
A palavras soltas
De um poeta sem nome
Naquelas páginas feitas de espuma
Lavo a alma
Perfumo
A simplicidade do eu
Do tu
O poeta sem nome mergulha
Procura o silêncio da noite
A existência do dia
Emerge a música que embala a razão
A emoção que alimenta a alma
E o poeta sem nome
Materializa-se em pedaços de papel
Amarrotados pelo tempo
Em páginas brancas de espuma…
Esquecidas na prateleira da estante
À espera que um dia
O poeta sem nome
Seja lembrado
                                     Sílvia Mota Lopes

quarta-feira, 6 de junho de 2012

olho pela janela ...que vejo eu? escrito de fresco:)

 
Olho pela janela
As ondas bailam com o vento
Ao longe um barco à vela
E os meninos tristes vestidos de areia
Brincam contentes com as pérolas do mar
As estrelas lá do céu dormem acordadas à espreita
Daquela canção a mais linda
Aquela canção de embalar
Olho pela janela
Vejo a areia a ser beijada pelo mar
E naquele toque tão lindo
vejo-a indefesa corar
Que mais vejo eu
Quando olho pela janela?
O majestoso sol a esconder-se
Para ver a lua acordar

Sílvia Mota Lopes

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Sentido de fresco:)


Por trás do sorriso
escondo palavras
na névoa do pensamento
agitam-se inseguras
esgotam-se os sons fico muda
sorrio apenas
resta-me sorrir
ou fechar os olhos para não ver
mas somos mais do que cinco
seis, sete, ou até mais
não os consigo libertar
são sentidos demais que não me deixam
ou morro para não os sentir
ou vivo para os sentir muito mais


nas noites...nas ruas!?

sábado, 19 de maio de 2012

Da morte à nascença

 
Posted by Picasa

Mesmo com dor de cabeça...e a precisar de dormir ...

 
Vou ler...beijar as palavras...
viajar no imaginário das coisas
dos seres e da natureza
sentir aquela emoção a mais forte
palpitando no meu peito
chilrear melodias
soltar palavras sem jeito
vaguear na noite fria
ululando a minha presença
sentir o quente e o molhado
da minha morte à nascença


Escrito e desenhado de fresco:)


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Um menino verde que ainda canta a esperança:)

 
Desenhado e escrito de fresco:)

Sou verde
não perdi a esperança
sou pequeno
 pois sou criança
deixa-me  crescer
sentir o vento
a energia do amanhã
quero ser o sorriso
que tu desejas ver
 ser o futuro
de uma consciência sã

Sílvia Mota Lopes



terça-feira, 1 de maio de 2012

Por pouco que seja! escrito há pouco:)

 
Vagueias por entre as palavras
descansas no rochedo firme
tentas proteger o teu corpo frágil
queres alcançar para além de ti
mas está longe
o teu olhar apenas consegue ver ao perto
fechas os olhos no escuro
o pensamento persiste
não tem distâncias
pode ir onde tu quiseres
mas acaba por adoecer
resta apenas um corpo dormente de dor
o pensamento deixa de existir
tal como a razão e o sentir
deixas um rasto de ti mesma
um pedaço
não és tu por inteira
mas fica qualquer coisa
embora pareça coisa pouca
pode dar vida a uma nova vida
e essa sim nunca
MORRE

sábado, 7 de abril de 2012

Porque eu sou assim...

 
Eu nem sabia que tinha asas...mas elas estavam lá, cheias de pó e de teias de aranha. Durante muitos anos deixei-as assim porque talvez uma das razões é que penso mais no "outro" do que em mim.
Isto que me aconteceu em Junho de 2011 veio despertar em mim o que estava adormecido durante anos. Sacudi as asas e voei... :)
Até nos momentos menos bons da nossa vida, retiramos uma lição de vida...um despertar...algo de positivo.
Pela minha experiência(s) de vida assim foi. Agora sou muito mais feliz! :)
....muitos "dependem" da minha vida para serem igualmente felizes! :)
Sejam positivos, acreditem na bondade, no amor, no respeito e é sempre bom relembrar que somos livres se respeitarmos a liberdade do outro.

sábado, 17 de março de 2012

"Quando não estás aqui"



Quando não estás fico assim...
sem chorar sem rir
sem falar
sem sentir
um vazio espreita
já tão perto de chegar
 entra sem pedir licença
determinado a entrar
invadindo o nosso espaço
desprezando nossa  presença
penetrando aquela forma
onde os sentimentos se escondem
anestesiados de dor
aconchegados já dormem


Sílvia Mota Lopes

Desenhado e escrito há pouco :)





quinta-feira, 8 de março de 2012

para ti que és mulher

Quem és tu?

No ventre
No Centro
No núcleo
No cume da montanha ou
Na copa da árvore
Na raíz
No tronco
Nos ramos ou
Nas folhas
Na seiva
Na terra
No mundo
És Mulher!


Sílvia Mota Lopes




sexta-feira, 2 de março de 2012

Brincando com o vento

Brincar com o vento é sentir
com ele viajar
até onde nos quiser levar
pousar os pés na terra
 como penas em silêncio
sentir a textura do seu manto
e o pranto orvalhado das manhãs 
olhar para um pedaço de mar
contemplar o seu ondular majestoso
sentir a brisa amena no rosto
secando a tímida lágrima
deixando um rasto leitoso
agarrar uma mão cheia de sonhos
escondidos num pequeno búzio
perdido na areia
agarrar com força e segredar
é tão bom brincar
ser cúmplice da sua brincadeira

Sílvia Mota Lopes

Desenhei um sorriso no céu
Para o veres
Segredei ao vento
Para o sentires
Toquei no sol
Para te aqueceres
Às ondas do mar
Para te embalarem
À escuridão
Para não teres medo
Pedi à lua
Para te adormecer
E ao tempo
Para o esqueceres

                                                                 Sílvia Mota Lopes