Da nebulosidade inicial, o Homem limpa os olhos, descobre o silêncio, caminha para o dia em direção à luz. O sagrado não se oculta, está em si, nele, no Homem, à procura da claridade que decorre por entre as mãos.
Do obscuro saber, o mito esmaga a exterioridade, leva o Homem à viagem interior, onde as cores revelam a presença do sagrado que se esmagam no encontro da sensibilidade, no ventre.
Da coisificação absurda, rodeante, o Homem projeta no universo, na tela, a desordem onírica, que espera, necessita, do olho, da água, da lágrima que dá ordem, sentido.
Na inquietude individual, o artista, o pintor, olha o mito, agarra a cabeça, mergulha nas cores, limpa os olhos, desvela a vida.
A Vida...

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Acordo
Ainda vestida da noite e de lua
Pálida triste recolhida
Ainda estão adormecidos os sentidos
Mal os sinto…
Logo pela manhã
Nem o cheiro de terra molhada me faz sentir o chão
Nem o ruído da cidade
Me faz presenciar a vida
Ausentou-se o sol e a luz
Espero
Agora
Em mim mais um dia



3 comentários:

Maria Emilia Moreira disse...

Olá Sílvia!
Só uma sensibilidade de poeta consegue acordar "vestida de noite e de lua..." e olhar em volta e apesar da ausência do "sol e da luz", continuar a ter esperança em dias melhores!
Um abraço.

Armando Sena disse...

Despojado dos sentidos, mas não da poesia.

Sílvia Mota Lopes disse...

Obrigada Maria Emília um abraço grande :)

Obrigada Armando pelo carinho :)