Da nebulosidade inicial, o Homem limpa os olhos, descobre o silêncio, caminha para o dia em direção à luz. O sagrado não se oculta, está em si, nele, no Homem, à procura da claridade que decorre por entre as mãos.
Do obscuro saber, o mito esmaga a exterioridade, leva o Homem à viagem interior, onde as cores revelam a presença do sagrado que se esmagam no encontro da sensibilidade, no ventre.
Da coisificação absurda, rodeante, o Homem projeta no universo, na tela, a desordem onírica, que espera, necessita, do olho, da água, da lágrima que dá ordem, sentido.
Na inquietude individual, o artista, o pintor, olha o mito, agarra a cabeça, mergulha nas cores, limpa os olhos, desvela a vida.
A Vida...

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Escrito agora :)

 

Rama que abana

Em tempo de outono

Queda-se a folha

Amarga-se a alma

Em tempos…

Crianças à solta no campo

Descalças respirando liberdade

 Vivem agora em casas

 Com janelas de arame

Respiram aos golinhos

Tal como os prédios na cidade

E pelas ruas vestidas de folhas

Andam encolhidos aos beijinhos

Os namorados sem idade

E os “velhos” logo de manhã

Matam o tempo

A jogar à sueca

Na sua sábia batota

Dizem um palavrão e soltam uma gargalhada

Porque o tempo pouco lhes diz

ou não lhes diz mesmo nada!






4 comentários:

O Profeta disse...

De folhas de Outono se coroa uma tonta
Lancei pedras sobre as ondas furiosas
Teimosamente arde neste peito uma raiva
E vi muito lixo num covil de raposas

As coisas que um poeta vê
As coisas que que invadem uma alma demente
Num silencio contaminador, estonteante
Ouvi palavras de amargo presente

Cheguei finalmente a uma certa praia
Fiquei encoberto por uma mancha de gaivotas
Na impressionante fachada da minha alma
Fecham-se com estrondo todas as portas


Doce beijo

Silvia Mota Lopes disse...

beijo:)

Evandro L. Mezadri disse...

Bela obra, Silvia!
Muito intensa, criativa!
Grande abraço e sucesso!

Silvia Mota Lopes disse...

obrigada :)