Da nebulosidade inicial, o Homem limpa os olhos, descobre o silêncio, caminha para o dia em direção à luz. O sagrado não se oculta, está em si, nele, no Homem, à procura da claridade que decorre por entre as mãos.
Do obscuro saber, o mito esmaga a exterioridade, leva o Homem à viagem interior, onde as cores revelam a presença do sagrado que se esmagam no encontro da sensibilidade, no ventre.
Da coisificação absurda, rodeante, o Homem projeta no universo, na tela, a desordem onírica, que espera, necessita, do olho, da água, da lágrima que dá ordem, sentido.
Na inquietude individual, o artista, o pintor, olha o mito, agarra a cabeça, mergulha nas cores, limpa os olhos, desvela a vida.
A Vida...

domingo, 23 de setembro de 2012

Pede tu ao vento

 
Pede tu ao vento
já desisti de lhe falar
enlouquece por vezes
nada o faz parar
é triste e fria a noite
mas envolvente quando ele chega
e nos seus braços
embala-me docemente
fecho os olhos
para o sentir
o meu corpo cansado adormece
percorro lugares e gentes
que nunca vi
mas ... ao mesmo tempo
num tempo que desconheço
já o vivi

5 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

E o vento cala as palavras/ o vento nada me diz
Bejinho e boa semana

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Cala a degraça, não as palavras, obviamente...

Silvia Mota Lopes disse...

Agora fiquei mais confusa do que já estava quando escrevi este poema:)
é que muitas vezes nem eu percebo o que escrevo... o vento tal como qualquer coisa ou pessoa não é perfeita. ora é suave e nos faz bem ora é prejudicial...se o vento não lhe diz nada é porque ignora a sua existência. Até as coisas menos significantes, tal como o mais ignorante tem algo para nos dizer:) Uma boa semana Carlos, para mim uma nova semana que espero ser boa:)

Lídia Borges disse...


Lembrei-me do "Trova do Vento que passa" do Manuel Alegre:

" Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz."

Lídia

Silvia Mota Lopes disse...

Pronto está explicado...ainda não li nenhum poema do Manuel alegre talvez quando me reformar tenha mais tempo para ler:))))
mas sabes uma coisa só conheço essa frase que o Carlos e tu indiretamente me esclareceste...e como posso ler Manuel Alegre se estou a ler neste momento uma poetisa amiga Lídia Borges e como ela diz neste tempo suspenso
" estou aqui, "neste tempo suspenso"
No meio do pranto, da noite,do mar
O nevoeiro, os barcos, a escuridão
Enlouquecidos, rolam na velha roda dentada
Do caos, monstro sem rosto
A contar, nos relógios, nulas esperas" Lídia Borges