Da nebulosidade inicial, o Homem limpa os olhos, descobre o silêncio, caminha para o dia em direção à luz. O sagrado não se oculta, está em si, nele, no Homem, à procura da claridade que decorre por entre as mãos.
Do obscuro saber, o mito esmaga a exterioridade, leva o Homem à viagem interior, onde as cores revelam a presença do sagrado que se esmagam no encontro da sensibilidade, no ventre.
Da coisificação absurda, rodeante, o Homem projeta no universo, na tela, a desordem onírica, que espera, necessita, do olho, da água, da lágrima que dá ordem, sentido.
Na inquietude individual, o artista, o pintor, olha o mito, agarra a cabeça, mergulha nas cores, limpa os olhos, desvela a vida.
A Vida...

sexta-feira, 27 de julho de 2012

escrito de fresco


Bale ao longe a cabra
Balindo não se cala
Espera a fome
Pelo alimento que tarda a vir
Cheio de gente
Vai o comboio partir
Anda aos soluços
Desespera
E ainda bale a cabra
Ao longe bale
A fome já não espera
 E Já não bale a cabra
A cabra não mais bale
E agora o que há para vir?
O comboio parte atulhado de gente
E já não há cabra para parir

Sílvia Mota Lopes



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